O
mercado da segunda bebida alcoólica mais consumida
do Brasil segue em expansão. O setor de cachaça,
que registra um volume anual de produção
de cerca de 1,8 bilhão de litros, contará
agora com uma importante iniciativa do Grupo Ypióca,
maior produtor do País fundado em 1846.
Recentemente, Everaldo Telles, presidente da companhia,
anunciou a instalação de uma nova unidade
fabril, a sexta da Ypióca. Quatro fábricas
estão distribuídas pelo interior do Ceará
(Pindoretama, Ubajara, Acarape e Paraipaba) e uma no Rio
Grande do Norte (Ceará-Mirim). A instalação
completa da nova unidade, às margens do Rio Jaguaribe,
no município de Jaguaruana, a 200 km de Fortaleza,
deve ocorrer até setembro do ano que vem. "Com
isso, vamos aumentar a capacidade instalada de 80 milhões
de litros por ano para 100 milhões litro por ano",
garante Telles.
O investimento foi de R$ 60 milhões e tem capacidade
para processar 3.500 toneladas de cana-de-açúcar
por dia. Além do investimento no Ceará,
a Bahia, considerado um mercado estratégico, também
será beneficiada com um escritório regional.
Meses atrás, a empresa lançou a primeira
cachaça destilada do mundo com malte, a extra-premium
Ipyóca 160, em comemoração aos 160
anos da empresa. Para dar corpo ao lançamento mais
de R$ 2 milhões foram investidos numa campanha
que consistiu em transmitir os conceitos de exclusividade,
sofisticação e estilo da bebida.
"Como pioneiros no mercado nacional e internacional,
além de qualidade, que é primordial em nosso
trabalho que já alcança a quinta geração,
expandir mercado está entre a nossa principal preocupação",
enfatiza o presidente, que ressalta ainda que o grupo
foi o primeiro a exportar cachaça, em 1968, para
a Alemanha e, desde então, aprimora constantemente
sua linha de produtos, visando o mercado internacional.
Hoje, a Ypióca atinge a marca de 9 milhões
de litros/ano e representa uma participação
de 11% na exportação do Brasil. Além
da Alemanha, a marca está presente em mais de 40
países, como Espanha, Itália, Estados Unidos,
França, Japão, Grécia e China. "Somos
exclusivos na Dinamarca, Hungria, Moçambique e
República Tcheca e pretendemos, ainda para esse
ano, atingir Cingapura e Malásia", informa.
De acordo com Telles, todo o sucesso da fabricante se
deve a inúmeros fatores, mas em especial ao investimento
na preservação da natureza, a exemplo da
transformação do bagaço da cana-de-açúcar
em energia, papelão e adubo, assim como da utilização
do vinhoto, rico em sais minerais e usado para fertilizar
a cana-de-açúcar.
"Fazemos todo o processo de plantio e entrega, o
que faz com que ofereçamos um produto com controle
total de qualidade. Outro ponto forte do grupo é
a utilização de tecnologias de ponta nas
mais diversas áreas (agricultura, pecuária,
processos industriais e comercialização).
", complementou.
Mercado
Em 2007, o mercado nacional de cachaça manteve
o ritmo de crescimento constante dos últimos anos.
O Brasil conta hoje com um importante mercado de destilados,
liderado, é claro, pela bebida genuinamente nacional:
a cachaça, que representa cerca de 80% do segmento.
O consumo anual de destilados no País é
de cerca de 1,8 bilhão de litros e o faturamento
chega a US$4 bilhões, metade do total do segmento.
A outra fatia do bolo é dividida pelos demais destilados:
conhaque, uísque, vodca, rum, gim, vermute e licores.
Para se ter uma idéia, a produção
de cana-de-açúcar no Brasil, somente para
a fabricação de cachaça, chega a
10 milhões de toneladas por ano, o equivalente
a uma área plantada de 125 mil hectares. Em todo
o País, cerca de 35 mil produtores são responsáveis
pela fabricação e engarrafamento da bebida
em um universo de mais de cinco mil marcas. A produção
de cachaça de alambique está estimada em
30% (em torno de 540 milhões de litros). Esse volume
põe a cachaça como a terceira bebida destilada
mais consumida no mundo, perdendo somente para a Vodka
e o Soju.
O mercado para cachaça engarrafada no Brasil é
dividido entre os segmentos popular e premium. A aguardente
popular é acondicionada em garrafas de 600 ml.
Esse setor corresponde por 28,6% do mercado total. Já
o premium conta com, aproximadamente, 31% do setor. Nesse
caso, a bebida é acondicionada em garrafas de 970
ml ou 1 litro.