A estabilidade dos preços, a diminuição do desemprego e a baixa do dólar ajudaram o mercado cervejeiro em 2007. O setor fechou o ano em alta estimada de 7%, segundo o Sindicato da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Essa é a quarta elevação consecutiva no volume produzido, que chegou a um número histórico: 10 bilhões de litros.
O mercado começou sua ascensão em 2004, quando se recuperou de duas quedas seguidas nas vendas. Desde então, os resultados positivos tornaram-se freqüentes. A alta no consumo per capita é uma das razões desse bom momento que atravessa o segmento: o índice passa dos 51 litros. Apesar disso, é considerado baixo. Para se ter uma idéia, na República Checa, líder absoluta desse ranking, são quase 160 litros consumidos por habitante, em média.
Para 2008, as projeções também são boas. No entanto, a obtenção de mais uma alta considerável nas vendas da bebida em 2008 fica atrelada aos preços dos insumos, considerados commodities internacionais. “O consumo de cerveja no Brasil é bastante sensível ao preço. Se os insumos dela crescem, as indústrias precisam repassar esses gastos ao preço final do produto e isso faz com que o consumo diminua”, explica João Gollo, assistente de gerência do Sindicerv.
Negócios – O ano de 2007 também foi marcado pela compra e venda de marcas e fábricas. O mais recente caso foi o da Lokal Bier, adquirida pela cervejaria Petrópolis, dona da Itaipava, Cristal e Petra.
A nova gestora da Lokal Bier é conhecida pelas ousadas estratégias de mercado e pela vontade de progresso dentro da área. Segundo Mozart Rodrigues, superintendente da cervejaria Teresópolis, o novo dono é um empreendedor “nato” e vai fazer da fábrica uma das maiores, pois a estrutura já existente é tudo o que o empresário precisava para alcançar o objetivo da vice-liderança do mercado cervejeiro nacional.
Outra que passou a adquirir novas empresas é a Schincariol. A empresa de Itu, no interior de São Paulo, comprou no início de junho a Indústria de Bebidas de Igarassu (IBI), dona da marca Nobel. A unidade fica em Pernambuco, na cidade de mesmo nome, a 20 quilômetros de Recife, e tem capacidade de produção de 42 milhões de litros por ano.
Mas os negócios da Schincariol não pararam por aí. A União das Devassas Cervejaria (UDC) foi a aquisição seguinte. A Schin assumiu as marcas da UDC, a unidade de produção e a estrutura de distribuição.