O
cenário parece cada vez mais propício para
o consumo de cerveja no Brasil. Além da estabilidade
da economia, da diminuição do desemprego
e da baixa do dólar, fatores esses que ajudaram
no crescimento do mercado no último ano, o forte
calor em pleno inverno tende a impulsionar ainda mais
as vendas.
A região Sudeste, por exemplo, tem sofrido com
as altas temperaturas e a baixa umidade do ar. No dia
12 de agosto, a cidade de São Paulo teve o dia
mais quente do inverno. Segundo dados do Instituto Nacional
de Meteorologia (Inmet), os termômetros do Mirante
de Santana registraram 28,8ºC.
Nem mesmo a chamada 'Lei Seca', que aperta o cerco aos
motoristas que consomem bebidas alcoólicas antes
de dirigir, diminui esse bom momento. A verdade é
que a incidência da resolução tem
sido amenizada. As vendas de cerveja nos supermercados,
por exemplo, registraram elevação. "As
entregas da bebida registraram alta, o chamado delivery",
explica João Gollo, assistente de gerência
do Sindicerv (Sindicato da Indústria da Cerveja).
Além disso, alguns estabelecimentos não
são afetados pela lei. "Os bares de periferia
não serão afetados. Os clientes desses estabelecimentos
não costumam voltar para casa de carro, pois moram
próximo", completa o representante do Sindicerv.
No último ano, de acordo com dados do Sindicerv,
o setor cervejeiro registrou considerável alta
de 7%. Essa foi a quarta elevação consecutiva
no volume total de produção da bebida, que
chegou ao histórico e impressionante número
de 10 bilhões de litros.
O segmento começou uma espécie de recuperação
no ano de 2004. Nos anos anteriores àquele, foram
duas quedas seguidas nas vendas. No entanto, com o favorável
cenário econômico nacional e internacional,
os resultados positivos se tornaram uma rotina. A alta
no consumo per capita é outra razão desse
bom momento que atravessa o mercado. Esse índice,
apesar de considerado ainda baixo, tem crescido e já
passa dos 51 litros anuais.
Diante desses dados, as projeções para esse
ano são boas. No entanto, a obtenção
de mais uma alta considerável nas vendas da bebida
em 2008 fica atrelada aos preços dos insumos, considerados
commodities internacionais.
Investimentos
Para suprir a demanda, as cervejarias têm procurado
ampliar suas fábricas e, quando necessário,
construir novas unidades. Caso da AmBev, que inaugurou
em abril a primeira fábrica de embalagens de vidro
da companhia, a AmBev Vidros Rio, em Campo Grande, zona
Oeste do Rio de Janeiro. A planta teve investimentos de
R$ 160 milhões. De acordo com Milton Seligman,
diretor de relações corporativas da AmBev,
a construção da fábrica foi feita
com recursos próprios e deverá atender a
50% das necessidades de embalagens de vidro da empresa.
A produção de garrafas será voltada
para os modelos long neck. A capacidade será de
produzir 1 milhão de garrafas long neck por dia.
Seligman explicou que a fabricação de garrafas
long neck atende a uma necessidade da empresa pelo fato
de existirem poucos fornecedores de vidro. A unidade deverá
suprir 60% da necessidade total da AmBev de garrafas âmbar
e mais de 80% da demanda das regiões sul, sudeste
e centro-oeste do País.
Já a Cervejaria Petrópolis inaugurou sua
fábrica de Rondonópolis (MT) no começo
de julho. A unidade que ocupa 411 mil metros quadrados
de área no Distrito Industrial Augusto Bortoli
Razia gera 200 empregos diretos e começou a operar
com a produção média de 62 mil garrafas
por hora. O que garante a distribuição de
50 carretas de cerveja por dia e cem milhões de
litros ao ano. A escolha de Rondonópolis para sediar
a cervejaria foi baseada no fato da cidade ter uma localização
estratégica e a previsão se consolidar como
principal pólo industrial de Mato Grosso.